segunda-feira, 29 de junho de 2009

O dono da bola



Ninguém está mais feliz com a morte de Michael Jackson do que José Sarney. Com ela, as picaretagens do presidente do Senado ficaram em segundo plano no noticiário.

Para a próxima semana, Sarney reza pelo falecimento do papa ou de algum ex-beatle. A do Lula seria um negócio ruim para ele.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Recado de Gilmar: jornalistas, vão tomar no ...

Gilmar: ele estraga tudo que pega na mão

Ao defender o voto contrário à obrigatoriedade do diploma para o exercício da função de jornalista, o relator Gilmar Mendes apontou que o ofício independe de conhecimentos técnicos, por isso o curso superior seria desnecessário.

Acontece que o mais importante na formação do jornalista não é o aprimoramento técnico e sim a formação humanística proporcionado pelo contato com a sociologia, ética, antropologia e outras disciplinas relacionadas. O foco, de início, já está mais que equivocado.

Os patrões agradecem.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Buarque: o cara


Como é de praxe, sintonizei a TV Senado durante o almoço.

O senador Cristovam Buarque discursa ao vivo na tribuna. Disse que o Brasil é um país que “queima” duas coisas que garantiriam sua sobrevivência no futuro: a Amazônia e seus recursos e o cérebro de milhares de crianças entregues à arcaica estrutura da escola brasileira. Suposição: uma pessoa recém acordada de um sono de 30 anos provavelmente não reconheceria um shopping ou um outro estabelecimento qualquer, mas reconheceria uma escola, que nunca muda.

Para demonstrar a lógica do funcionamento de um país atrasado e oligárquico, disse ainda que o Brasil deverá investir milhões na exploração do pré-sal ao invés de também investir na educação, esta sim responsável pela legítima e definitiva revolução.

Dez minutos foram o suficiente: o dia estava ganho. Se Obama conhecesse o senador, não diria que Lula é o cara.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Fragmentos


Embora eu esteja trabalhando nele há mais de uma semana, o capítulo sobre a história do sindicalismo no Brasil ainda não saiu. O tempo urge.

A cantora mais chata do momento atende pelo nome de Susan Boyle. Como uma porcaria daquela pode virar unanimidade? Espero que ela não vença o concurso e seja convidada a participar do Programa do Gugu antes de despontar definitivamente para o anonimato.

Mais trash ainda é ver o Roberto Carlos sendo homenageado por Claudia Leite (argh) e Ivete Sangalo. O evento deu a dimensão do “non sense” que povoa o imaginário de certos produtores....

Hoje tem show dos Paralamas em Avaré, cidade na qual já vi uma apresentação do grupo nos idos de 1996 durante a turnê do disco Nove Luas. Expectativa.

A viola me acompanha. Hoje eu a trouxe para o expediente embora isso não seja muito inteligente. Quando não tem ninguém por perto, dou uma ou outra ponteada bem baixinho e volto a ocultar o instrumento atrás da porta.

Desconsiderem a postagem abaixo. É simplesmente ridícula. Parece redação da 4ª série.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Espelho

A imponência dos oceanos, com seus movimentos infinitos à beira mar

A mansidão dos rios, que cortam os vales como minhocas úmidas a procurar o caminho

A Amazônia e sua exuberante fauna e flora, a mais bela obra de todo o planeta...

A impureza dos oceanos, com seus detritos infinitos à beira mar

A mansidão dos rios, que somem dos vales como minhocas mortas a procurar o jazido

A Amazônia e sua invejável fauna e flora, a mais usurpada obra de todo o planeta ...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Captura dos Frangos na Sexta-Feira Maior

O burburinho causado pela aglomeração no bar logo de manhã contrastava com o silêncio que reinava na maioria das residências naquele dia. A alegria dos filhos fazia oposição à tristeza dos pais. No entanto, não havia naquele grupo uma só alma com copo na mão apesar do ambiente propício.

Os sujeitos sentados na sarjeta naquela manhã ensolarada – a maioria já sem camiseta por causa do intenso calor – aguardavam a chegada daquilo que os levaria pelos cafundós durante todo o dia: a carreta, cujo trator seria conduzido por um do grupo incumbido de executar a tarefa desde a noite anterior. Além do tratorista, há outro ofício: o do tocador, também indispensável no ritual.

Enquanto deixa a cidade, a carreta recolhe aqueles que saíram de casa para comprar pão ou ir ao açougue, mas que só voltarão no início da noite diante do convite irrecusável que ecoa de cima do aparelho. A euforia visível dos que já estão na carreta faz com que abandonem temporariamente família, namorada e compromissos tradicionais do dia. Não há tempo para avisar ninguém e nem trocar de roupa. A caravana é lenta, mas não pára. Não há segunda chance. “Vai ter que ir de chinelo mesmo”. “Não, não vai dar pra passar no bar comprar cigarros”. A pavimentação dá sinais de escassez em frente ao portão do cemitério, finda ali a pouca urbanização existente e um tapete vermelho se abre no horizonte. Dali pra frente, o dia seria longo entre tortuosas estradas de terra, sol na fonte e quilos de poeira. E muitas e muitas porteiras para transpor. Mas não sem alegria, uma alegria sem motivo aparente, mas ainda sim alegria.

De longe, o habitante da casa de tábua já sabe o motivo da visita e não raramente traz a prenda nas mãos antes mesmo da caravana aportar. Os que não se lembraram apontam com o indicador a ave a ser capturada, ato que justifica a existência do grupo e deflagra a cena a seguir: chinelos arrebentados, roupas rasgadas, pernas e braços sujos, aves em fuga, jovens em polvorosa e risos, muitos risos.

Depois da empreitada bem sucedida, cabe ao violeiro pontear uma moda para agradecer a doação. De volta à carreta e com o frango já aprisionado, todos cantam. O dono da propriedade permanece no chão em silêncio, procura encontrar ordem na desorganizada canção executada sem critério a quinze vozes, sorriso nos lábios, gosta dos meninos até, conhece o pai de todos ali, acha barulho demais para um dia como aquele, dia em que todos deveriam permanecer quietos, mas não vê maldade naquilo. Na despedida, promete que vai ao arroz com frango, servido após a meia noite e nem um segundo antes disso. Mas não vai. Também não irá ninguém das outras propriedades visitadas em que o ritual se repete.